quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Doces palavras ácidas - cor de molho chinês - fazendo mágica em corações partidos.

Raios lasers e balas de canhão ultra-sônico passam sobre minha cabeça e por um segundo eu não sei o que fazer. Escondida atrás do sofá púrpura à prova de balas, aperto com força o meu super celular prateado, a pressão que faço sobre o pequeno objeto faz com que minhas mãos fiquem pálidas pelo esforço sobrenatural. Mas não me importo, a dor é mínima, pois minha esperança está acesa e a fé que tenho não se abala, pois o meu super celular prateado a qualquer momento irá tocar e aquela chamada confidencial irá me salvar da dor do morrer só.

Finalmente sinto o super celular prateado vibrar contra a palma da minha mão morena e a pequena descarga elétrica que sempre detestei de repente me pareceu extremamente encantadora, pois o número não identificado que brilhava no visor do pequeno objeto significava que o meu parceiro não falharia que mais uma vez ele iria me resgatar. Com pressa atendi ao telefone e num milésimo de segundo meu corpo foi tele transportado e nós podíamos, então, salvar o mundo todo na praia com armas simples e eficientes, salvar o mundo todo com amendoim e skol.

Em tempos passados éramos em maior número, uma instituição poderosa que acolhia jovens com super poderes, mas algo que não prevíamos aconteceu. As forças do mal chacoalharam nossas bases sólidas; o professor Metáfora desertou. Jean perdeu o controle de sua mente, os efeitos foram devastadores, desde então nunca mais vimos Ciclop. E, como se nossas perdas não fossem suficiente, a bela Alice, com seus grandes olhos cor de avelan, tomou algo no país das maravilhas e começou a diminuir, diminuir, diminuir até ficar invisível a olhos nus. No momento, eu e meu parceiro do número confidencial estamos gastando nossos dias para desenvolver a porção que reverta o quadro e nos devolva nossa amada Alice sã e salva.

Pelo canto do olho observo meu parceiro evitando sorrir demais, enrolo a parte branca do meu cabelo, amaldiçoando o meu poder com as palavras, desejando poder atravessas paredes ou desaparecer, como um mutante comum. Mas o que eu tenho são palavras ácidas que disparadas na velocidade certa poderiam ferir o mais forte dos mortais. Embora ele negue, penso que meu parceiro tem o poder de ler minha mente, pois como que soubesse de minhas agonias ele segura o meu braço e então faz agir em mim o seu super poder, meu parceiro tem o dom de fazer a dor ir embora. Ele me olha ainda e diz que minhas palavras são quase doces e fazem bem pra sua alma e, talvez, para de outros. E, como se o Potter tivesse lançado um encantamento sobre mim, eu me acalmo. Pois o meu parceiro tem o dom de fazer a dor ir embora. Sendo assim minhas palavras reorganizarão nosso mundo, que já sem dor voltará a funcionar e respiraremos em segurança sem o nosso tubo de ar.

Para que nunca esqueçamos de tudo que vivemos, no espaço curto de tempo da nossa recente união, escrevo com minhas palavras mágicas dentro de uma cápsula temporal que será aberta daqui a meio século, entrego ao meu parceiro, levanto-me a bato a areia de minhas mãos, já posso ir pra casa sã e salva.

Dentro da cápsula temporal endereçada ao meu parceiro estão escritas, em minha letra feia, algumas palavras bonitas:

50 anos se passaram. 50 mais passarão. E ainda somos eu e você, fazendo a dor ir embora.

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